E se
Mas vou gritar o que eu quiser - sempre fiz o que quis. Não posso culpar mais ninguém pelas coordenadas em que os meus pés assentam neste momento. Gritos em silêncio. Para que me oiçam bem. Para que percebam de uma vez que o que acaba por fazer mais comichão são os “e se” que perdemos no caminho. O resto é ignóbil. Como o passado. Pretéritos (im)perfeitos. Vou riscar estas paredes de coisas que já não voltam. E pensar que só um desvio podia ter mudado a nossa rota para sempre. E nunca vais deixar de carregar às costas o peso infinito do percurso que não mudaste, das palavras que não disseste, do beijo que não roubaste. A parede a que gritas agora podia estar do outro lado do mundo. Liberta-te dessas cordas que te prendem as mãos. Queres saber uma coisa? Ainda vais a tempo. Todo o tempo do mundo - não para mudar, mas - para inverteres as rotas que seguiste até aqui. Foi assim que um dia descobrimos o Brasil.

adorei
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