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A mostrar mensagens de setembro, 2014

Assassinato mental

Levantou-se lentamente como que a recuperar o fôlego perdido. Não que tivesse perdido algum e muito menos o tivesse que recuperar, visto que jazia no tapete do quarto desde que tivera mão na sua consciência. Pelo menos durante esse tempo inconsciente não tinha que se dar ao trabalho de pensar demais - ou assim queria acreditar. A incerteza de que já acordara de um sonho lúcido esbatia-se sobre ela. De pé diante da janela do quarto atravessou o olhar sobre o inevitável reflexo, que ainda permanecia o mesmo desde a última vez que se lembrava, e olhou a rua como se fosse a primeira vez e não a soubesse de cor. Era realmente a primeira vez que a olhava. A primeira vez naquele dia. Não sabia se amanhecia ou anoitecia e parecia-lhe a cidade parada no tempo e no espaço, sem que o mais pequeno sinal de vida pudesse ser vislumbrado do alto do seu metro e setenta daquele décimo segundo andar. Quanto tempo teria passado desde que perdera os sentidos aos pés da cama? Sentou-se no chão, no mesmo l...