E mais um copo de vinho
E mais um copo de vinho. E o batom no copo. Vermelho sangue, como não poderia deixar de ser. Como sempre, para se sentir viva e em vida. O vermelho do sangue do batom do vinho. Os lábios de sangue já se mexem sozinhos. A voz, que falha tantas vezes, soa perfeita no teu nome. E mais um copo de vinho para esquecer esse amor. O álcool do vinho de sangue faz sempre falar o coração. Não que te amasse, ou que te amasse tão pouco como gostaria, mas os lábios dela já só sabem o teu nome por esta altura. Já tremem as horas vãs que passam como se estivesse à tua espera. E mais um copo de vinho para acertar os relógios. E os lábios desenhados encarnados no vidro quando queriam estar moldados ao teu pescoço. Tens frases na cintura mas ela tem amor no vermelho dos lábios que é do mesmo vermelho do teu coração. Agarra o copo agora com as duas mãos que para lhe escapar entre os dedos já bastaste tu. Ao balcão de um bar – nem sei muito bem onde – cruza uma perna por cima da outra e faz sinal ao empre...