2009
Amar-te-ia tanto como se pode amar um corpo, se ao menos parte dele fosses tu por completo. E o mundo era um lugar melhor se te pudesse amar tanto como se podem amar umas mãos, uma boca, uma pele. Nunca ninguém vai admirar esses lábios da forma como os amo. E amá-los não é amar-te, podendo amar-te de qualquer forma. Viveríamos num equilíbrio perfeito se te amasse uma parte de cada vez, até te amar por completo tanto como alguém se pode amar. Porque amar um corpo não é amar uma alma e não significa amar alguém. E amar o coração, que deveria ser o ponto de partida, vem - quando vem - no final, depois de se ter amado tudo quanto se podia amar. Tantas vezes amamos rostos sem amarmos todas as feições, sem sabermos de cor tudo o que elas significam, porque não se amam rostos como se amam corações. Se ao menos se pudessem amar corações como se podem amar corpos... Bem-vindos aos meus delírios de 2009 só porque é hoje.