Mensagens

A mostrar mensagens de 2013

2009

Amar-te-ia tanto como se pode amar um corpo, se ao menos parte dele fosses tu por completo. E o mundo era um lugar melhor se te pudesse amar tanto como se podem amar umas mãos, uma boca, uma pele. Nunca ninguém vai admirar esses lábios da forma como os amo. E amá-los não é amar-te, podendo amar-te de qualquer forma. Viveríamos num equilíbrio perfeito se te amasse uma parte de cada vez, até te amar por completo tanto como alguém se pode amar. Porque amar um corpo não é amar uma alma e não significa amar alguém. E amar o coração, que deveria ser o ponto de partida, vem - quando vem - no final, depois de se ter amado tudo quanto se podia amar. Tantas vezes amamos rostos sem amarmos todas as feições, sem sabermos de cor tudo o que elas significam, porque não se amam rostos como se amam corações. Se ao menos se pudessem amar corações como se podem amar corpos... Bem-vindos aos meus delírios de 2009 só porque é hoje.

linhas

Endireitemos as linhas por onde escrevemos. Devagar, ao ritmo próprio de quem não faz ideia por onde vai. Melhora a caligrafia, não saberás ler nas entrelinhas quando mais tarde revires os teus rabiscos. Em itálico ainda se tornava a tarefa mais fácil. Ou entre aspas. Pelo menos já seguias alguém, enveredavas por caminhos tortos sem a preocupação de um destino indesejado - já lá tinham chegado antes de ti. Mas nem sempre o caminho mais simples é o melhor caminho. As linhas nem sempre serão direitas, vão cruzar-se diagonais paralelas em ruas perpendiculares. Mas será o teu destino. E o fim justificará o meio atribulado. Que não te salte já o coração pela boca nem te tremam as mãos ao pegar na caneta, ainda vais no início da rota. Pudéssemos trocar canetas por lápis e inverter as direções sempre que um erro ocasional ou um obstáculo inoportuno nos atropelasse. Mas não podemos apagar nada, a via é de sentido único e a inversão de marcha não consta sequer no leque das hipótese. E o único s...

E se

Imagem
As linhas já estão gastas. Gastas de tantos corações apertados que já nem cabiam em si sós. Cansadas de tantas palavras vazias como amo-tes descabidos que se escreveram sozinhos em retas paralelas que se tornaram curvas. Vou começar a desabafar para as paredes. Até porque, afinal de contas, não são elas que têm a fama de ter ouvidos? Oiçam-me bem, só desta vez. Quero gritar o que me ficou entalado na garganta. Fá-lo-ei, ainda que não possa. Ou que não deva. Mas o poder e o dever são conceitos relativos. Como o certo e o errado. Ainda para mais quando o contexto se pendura em paredes ocas.  Mas vou gritar o que eu quiser - sempre fiz o que quis. Não posso culpar mais ninguém pelas coordenadas em que os meus pés assentam neste momento. Gritos em silêncio. Para que me oiçam bem. Para que percebam de uma vez que o que acaba por fazer mais comichão são os “e se” que perdemos no caminho. O resto é ignóbil. Como o passado. Pretéritos (im)perfeitos. Vou riscar estas paredes de coisas...