linhas
Endireitemos as linhas por onde escrevemos. Devagar, ao ritmo próprio de quem não faz ideia por onde vai. Melhora a caligrafia, não saberás ler nas entrelinhas quando mais tarde revires os teus rabiscos. Em itálico ainda se tornava a tarefa mais fácil. Ou entre aspas. Pelo menos já seguias alguém, enveredavas por caminhos tortos sem a preocupação de um destino indesejado - já lá tinham chegado antes de ti. Mas nem sempre o caminho mais simples é o melhor caminho. As linhas nem sempre serão direitas, vão cruzar-se diagonais paralelas em ruas perpendiculares. Mas será o teu destino. E o fim justificará o meio atribulado. Que não te salte já o coração pela boca nem te tremam as mãos ao pegar na caneta, ainda vais no início da rota. Pudéssemos trocar canetas por lápis e inverter as direções sempre que um erro ocasional ou um obstáculo inoportuno nos atropelasse. Mas não podemos apagar nada, a via é de sentido único e a inversão de marcha não consta sequer no leque das hipótese. E o único sentido de todas as viagens que não podes recusar e em que não podes recuar é que, no final de tudo, não seja onde chegaste que faça a vida valer a pena, mas o caminho que percorreste para chegar ao teu destino.
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